A Comissão Permanente do Vestibular da Ufac (Copeve) exigiu neste ano mais rigor na investigação de isentos do vestibular. Resultado: houve uma diminuição considerável no número de procura para o benefício. Agora, com 2.700 inscritos isentos da taxa, a instituição aguarda até o próximo dia 14 a inscrição daqueles que pagarão 50 reais pela taxa. Esse valor é o mesmo cobrado desde 2001 e considerado um dos mais baixos quando comparado aos demais vestibulares do país.
Segundo o presidente da Copeve, João Batista de Souza, para aumentar o número de isentos e manter o mesmo valor há três anos da taxa de inscrição foi preciso muito investimento, reestruturação e patrocínio de empresas privadas. “Com o aumento de procura pelas vagas surgia a necessidade de implantarmos uma estrutura diferente na Copeve para atender toda a demanda”, explicou.
Nessa entrevista, João Batista fala sobre a atuação da Copeve para o vestibular, a crescente concorrência das faculdades particulares no Acre e afirma que a dobradinha Direito e Medicina deverá se repetir entre os cursos mais procurados neste ano.
Como a Ufac conseguiu manter por três anos consecutivos a mesma taxa do vestibular, considerada hoje uma das mais baixas do país?
Há mais ou menos três anos, a Copeve não tinha uma estrutura adequada para enfrentar um vestibular. Nessa época, um vestibular de até 10 mil pessoas a gente já enfrentava com certa dificuldade. Mas com o aumento de procura pelas vagas, chegando a quase 13 mil candidatos, surgia a necessidade de implantarmos uma estrutura diferente na Copeve.
Que estrutura seria essa?
Reforma física mesmo. Mudamos a sede, gradeamos as salas para garantir segurança, compramos prateleiras, ar condicionado, essas coisas. Hoje, então, nós temos uma estrutura quase que completa. Mas que pudéssemos fazer isso, tivemos que gastar dinheiro. Naquela época, quando cobrávamos 50 reais pela taxa de inscrição, era um valor calculado para cobrir essa necessidade de reestruturação. Feito isso, a gente conseguiu no ano seguinte não aumentar a taxa e nem para este ano.
A Copeve buscou patrocinadores privados como nos anos passados?
Com certeza, e isso nos ajuda muito. A cada ano temos buscado junto às empresas particulares uma contribuição financeira para confecção do manual do candidato e para ampliarmos o número de inscritos. Esse ano, mais uma vez, conseguimos o patrocínio do Banco do Brasil, Basa, Banco Real, entre outros. São quantias pequenas, mas que nos dão apoio nesse processo.
Como a Ufac consegue equilibrar o orçamento do vestibular e as gratuidades da isenção?
Nós fazemos um cálculo aproximado das despesas. E fazemos um cálculo aproximado da arrecadação. Baseado nesse cálculo, a gente estipula uma quantidade para número de isentos. No vestibular de 2001, nós isentamos pouco mais de mil candidatos. Em 2002, isentamos algo em torno de 1.700 pessoas. Neste ano, ampliamos esse número para 2.700. Conseguimos isso pelos patrocínios e antecipação da compra de equipamentos. Outra coisa que tivemos de positivo nesse aspecto foi o apoio financeiro da Ufac em caso de necessidade.
Como funciona o esquema de isenção do vestibular? Há alguma investigação para avaliar as condições dos pedidos?
Primeiramente nós vamos às faculdades particulares e pedimos a listagem dos alunos que ingressaram ou que estão prestes a fazer vestibular. Esse pedido também é feito na própria Ufac. Essa listagem serve para identificarmos os alunos que já estão cursando uma faculdade, porque não damos isenção para esses estudantes. O segundo passo é a verificação sobre a conclusão do ensino médio. Depois disso, a gente verifica se a pessoa é proveniente de uma escola pública, porque se estudar em escola particular e não for bolsista, não tem direito à isenção. Depois disso, vamos analisar as declarações de renda das pessoas para confirmar sua situação.
Vocês chegaram a flagar algum caso de pessoa que pediu isenção tendo boas condições financeiras?
Isso sempre acontece. Tem gente que faz prestação de conta acima da renda que declara ter em casa. Além disso, temos uma equipe que fiscaliza as casas daqueles fazem o pedido de isenção. E nessa investigação a gente descobre coisas absurdas. Tem gente que se declara pobre com renda de um salário mínimo e quando o investigador vai na casa vê que há três aparelhos de ar-condicionado. Um outro tinha uma conta de telefone de 120 reais. Quem tem uma conta de telefone nesse preço não precisa de isenção.
Quantas pessoas pediram isenção neste vestibular?
Cerca de 4 mil pessoas, e confirmamos 2.700 isenções. Este ano a gente inibiu um pouco porque fomos mais rigorosos. Era um procedimento necessário.
Qual o papel da universidade pública na formação de profissionais vindos de famílias de baixa renda?
A universidade não tem dado uma assistência total aos seus alunos no que diz respeito a usar depois alguma ajuda de emprego ou orientação. A universidade dá a formação superior e depois depende mesmo do aluno. Eu acho que no caso da Ufac nos últimos anos tem melhorado muito porque tem dado melhor formação através dos laboratórios que foram construídos em vários cursos, além dos cursos de pós-graduação. Estamos melhorando a formação dos nossos alunos.
O senhor acha positiva essa concorrência crescente com as faculdades particulares no ensino superior do Estado?
Acho muito saudável porque se quem tem condições de pagar mensalidade numa faculdade particular vai cursar uma, acaba dando condições de abrir uma vaga para aquele pessoal que não tem condições. E foram muitas pessoas que ingressaram em faculdade particular nesses últimos anos. Consequentemente mais vagas para quem não pode pagar altas mensalidades.
Qual a estimativa de inscritos neste ano?
Doze mil pessoas. Um número menor do que o do ano passado, até mesmo devido à concorrência com as faculdades particulares.
E até agora quais foram os cursos mais procurados?
Via internet tem sido mais Medicina, mas aqui na universidade mesmo, até agora, Direito continua como o curso mais procurado. Na lista dos cursos mais procurados, esses dois ficarão na frente com certeza, assim como no ano passado.
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