quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Polícia investiga 17 assassinatos confessados por maníaco de Guarulhos

A Polícia Civil de São Paulo investiga 17 assassinatos que teriam sido cometidos por Leandro Basílio Rodrigues, 19, chamado de "maníaco de Guarulhos" (Grande São Paulo). Ele confessou a morte de mais uma mulher na cidade e outros dez homicídios. Nesta terça-feira o Estado libertou três rapazes presos acusados de um estupro seguido de homicídio que Rodrigues confessou a autoria. Eles serão indenizados pelo Estado, segundo o governo.Ao todo, a polícia investiga seis homicídios em Guarulhos, três em Belo Horizonte, quatro em São Paulo e quatro no Rio. A maioria das vítimas é de mulheres e, as que a polícia já confirmou a morte, foram estupradas.Segundo Jackson Cesar Batista, delegado do setor de homicídios de Guarulhos, o suspeito não soube dizer porque matava as mulheres. Já para os homens ele explica que matava por rixa ou desconfiança.Ele relatou à polícia que matou três homens na região do bairro do Jaçanã (zona norte de São Paulo) --a data não foi informada pelo delegado-- que foram seus cúmplices no roubo de um carro. Segundo seu relato, os três homens o disseram que o carro foi apreendido e ele achou que estava sendo enganado. Matou os três. O corpo de um deles, que ele disse que nem conhecia, foi jogado em um rio na região."Ele [Rodrigues] disse que um dos "bandidos deu chapéu nele'. Mas analisando os fatos, ele até acha que morreram inocentes, mas riram ao falar que veículo foi apreendido", disse Batista.Crime comprovadoUm dos crimes confessados por Rodrigues, que a polícia conseguiu evidenciar a autoria como do suspeito, é a morte de Keliane Leite da Silva, 23, no dia 7 de setembro do ano passado. Ela foi morta e violentada na rua João Gomes, no Jardim Adriana, em Guarulhos.Segundo a polícia, a vítima era usuária de drogas e o laudo necroscópico comprovou que ela sofreu violência sexual. Ela está na "lista" de crimes que o suspeito disse ter cometido em Guarulhos.De acordo com o delegado, fotos, detalhes de roupas e outros fatores ajudam a polícia a colocar Rodrigues como suspeito pelos crimes.Engano e torturaRodrigues também confessou o assassinato e estupro de Vanessa Batista de Freitas, 22, em 2006. No entanto, na época do crime, três rapazes foram presos sob a acusação de terem cometido o crime. Renato Correia de Brito, 24, William César de Brito Silva, 28, e Wagner Conceição da Silva, 25, estão presos desde agosto de 2006, mas sempre disseram à Justiça que confessaram o crime sob tortura."Esse caso se diferencia dos demais [crimes] porque naquele momento ele não estava fazendo consumo de drogas. Ela [vítima] voltava de um culto religioso e inicialmente ele iria abordá-la para roubar, mas disse que não sabe porque matou", afirmou Batista.Vanessa foi morta na rua A do Jardim Cristin Alice. Segundo o delegado, esse é um local onde ele costumava levar suas vítimas, por ser ermo e com matagal.As evidências também ajudam a polícia a suspeitar que Rodrigues tenha sido mesmo o autor do crime. Ele relatou, segundo o delegado, que a vítima estava de saia, botas e em sua bolsa havia uma Bíblia e um véu branco. Ele roubou o celular de Vanessa e colocou o véu sobre seu corpo, segundo seu relato.IndenizaçãoO secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, disse que o Estado vai indenizar os rapazes presos pela morte de Vanessa. "Se for comprovada a tortura, os policiais serão processados, presos e expulsos", afirmou o secretário.O governador José Serra (PSDB) conversou hoje com o secretário e determinou rigor na investigação do caso.O delegado Marco Antonio Dário do Núcleo da Corregedoria de Guarulhos, disse que quatro policiais civis serão investigados pelas denúncias. Ele se recusou a fornecer os nomes dos policiais.Segundo o corregedor, no relatório do delegado que presidiu o inquérito na época do crime, que foi encaminhado o Ministério Público, as acusação de tortura dos então suspeitos foram relatadas. No entanto, segundo Dário, a Promotoria analisou os fatos e pediu a prisão."Foi feita a apuração e a alegação de tortura foi relatada nos autos e submeteu-se à apreciação do Ministério Público. Na Promotoria entendeu-se que devia pedir a prisão", afirmou o corregedor.

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